Filmes adaptados de livros… & Corações Sujos

Logo mais darei um curso sobre o assunto (filmes que foram adaptados de obra literárias) no Memorial da América Latina/ SP (mais info em breve). Comecei o texto com esta info, porque  li a matéria a respeito da adaptação cinematográfica que Vicente Amorim está fazendo de “Corações Sujos”, filme baseado no livro homônimo de Fernando Morais, no qual tenho interesse por causa do curso citado no início, e pessoal também, afinal é um assunto polêmico ligado à comunidade japonesa e que pouca gente tem conhecimento.

Pois bem, os livros ao serem transpostos para a telona, não precisam ser representações fiéis, missão até impossível, principalmente pelo fato de serem obras com linguagens e ‘mídias’ diferenciadas.

A cultura japonesa já foi inúmeras vezes representada (em maior ou menor grau) por produções ocidentais, vide Encontros e desencontros (meu objeto de pesquisa do mestrado), Seda, O último samurai, Medo e submissão, Memórias de uma gueixa (sendo os 2 últimos adaptados de livros homônimos), entre outros.

Memórias de uma gueixa e Medo e submissão, para comentar só esses dois filmes, certamente diferem em diversos pontos das obras originais. Alterações foram realizadas, afinal uma nova leitura ocorreu para que fossem realizados. Porém, a essência das histórias estão lá, os livros não foram utilizados para fornecer material para que outra história tivesse destaque, e isso é o que me incomodou em relação à matéria da Folha, o fato do diretor ter escolhido utilizar o Shindo Renmei como pano de fundo para a história dos personagens principais do filme.

Shindo Renmei é o nome da organização nacionalista formada por japoneses imigrantes que viviam em Marília,  interior paulista, e que não acreditavam e aceitavam que o Japão tivesse sido derrotado na Segunda Guerra Mundial.

O livro tem como objetivo contar a história deste grupo e suas ações, e o cumpre. Há outro escrito sobre o assunto, pelo nikkey Jorge J. Okubaro, que conta a história de seu pai, participante do grupo. Conheci o autor em 2007, quando trabalhei na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e ele  solicitou que entregasse seu livro ao diretor japonês Kore-Eda Hirokazu (deuso!! quem não conhece seus filmes, deve assistir), que veio para participar do evento, e tinha planos de realizar um filme sobre o assunto e a imigração japonesa, chegando inclusive a realizar pesquisas no Bunkyo e em Santos (não sei se o projeto será realizado).

O projeto cinematográfico made in Brazil ainda está sendo filmado, e creio que só depois de pronto poderemos confirmar se a história do Shindo Renmei servirá de pano de fundo, mas sinceramente, espero que não, pois é um assunto que valeria um filme para ele…

Logo depois de ter lido o livro de Fernando Morais, perguntei aos meus pais, que nasceram no interior de São Paulo, perto da região onde os acontecimentos ‘estouraram’, se eles  tinham alguma lembrança do assunto, disseram que ouviram falar do grupo, mas que a região onde moraram não foi afetada pelas ações praticadas…

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