Somewhere

Antes de mais nada, este post terá spoiler do novo filme da Sofia Coppola, Um lugar qualquer, portanto se não quiser info sobre a película, que tem estreia prevista para o dia 28/01/2011, pare de ler agora!

Depois não diga que não avisei… rs

O quarto longa metragem da diretora mostra alguns dias na vida do ator de filmes de ação Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff (aquele ator que você sabe que conhece, mas não lembra muito bem o filme que ele fez e/ ou seu nome…).

O protagonista está hospedado no hotel Chateau Marmont enquanto se recupera de um acidente. Sua rotina de festas, bebidas e strippers é quebrada quando recebe a visita de sua filha Cleo, interpretada pela irmã caçula de Dakota Fanning, Elle,  e passam alguns dias juntos. Não fica muito claro se eles têm algum tipo de relacionamento regular ou mais detalhes sobre a mãe da garota.

A partir desta relação vem o estalo que parece despertar Johnny do mundo de falso glamour do mundo do cinema, ao qual estava acomodado e um tanto anestesiado, literalmente falando (ele chega a dormir assistindo gêmeas fazendo pole dance e em uma outra situação mais íntima).

Um ponto interessante que o filme mostra, é que mesmo em seu próprio país, o protagonista passa a sensação de estranhamento. Ele está acomodado naquela situação, mas isso não quer dizer que esteja confortável, muito pelo contrário, há sempre uma inquietação no ar, que parece só ser acalmada na presença da filha.

Este sentimento também está presente nos personagens dos outros filmes da cineasta. Aliás, Um lugar qualquer tem várias, inúmeras relações com Encontros e desencontros* (segundo longa de Sofia). Não que isso venha a desmerecer a última obra, pois as ações estão bem amarradas e justificadas, mas é impossível não lembrar de certas cenas do filme de 2005 ( e que acaba dando vontade de assistir de novo…).

Algumas das ligações:

– Os personagens principais são atores

– Boa parte das narrativas se passa dentro de hotéis

– Relação entre pessoas do sexo oposto

– Imagens de cidade (Los Angeles e Tóquio) vistas do alto de edifícios, à noite

– Cenas na piscina

– Desmistificam o glamour do mundo audiovisual

– Viagens: para Tóquio em Encontros e desencontros, Milão e Las Vegas em Um lugar qualquer

– Coletiva de imprensa

O final também é bem semelhante. Bob se despede de Charlotte, que continua em Tóquio. Ele está dentro de um táxi seguindo para o aeroporto para voltar para casa, são mostradas imagens do automóvel passando por viadutos.

Johnny se separa de sua filha, que vai para um acampamento. Ele dirige seu Porsche em uma estrada deserta. Ao contrário de Bob, desce do carro e segue à pé pela estrada. Este é o momento de rompimento com sua antiga vida, nada mais será como antes…


Viva ao cinema independente (ok, com algumas extravagâncias) e a Sofia Coppola, que continua fiel às suas histórias pessoais, intimistas, que acabam tendo grande destaque neste marasmo tecnológico de efeitos especiais sem conteúdo que andamos vendo por aí…

Não que eu seja contra, tem espaço pra todo mundo, só acho que tem uma invasão desnecessária de 3D…


Link para o site oficial do filme aqui.

*Minha pesquisa de Mestrado foi sobre o filme, se quiser lê-lo, faça o download aqui.

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2 Respostas para “Somewhere

  1. Somewhere! Estou aguardando chegar ao cinemas, mesmo que já tenha visto duas vezes. :p Na primeira vez que vi, não gostei, fiquei “controlando”o relógio, achando que o tempo estava passando e nada de consistente/relvante sendo mostrado. Mas não fiquei satifeita com esse sentimento. Comecei a pensar , a ler o filme, e “entendi” as escolhas da Sofia. No dia seguinte assisti novamente e foi uma expriência completamente diferente. Entrei no filme e no seu ritmo e aquilo que me parecia irrelevante se mostour justamente a grandeza do filme.

    Também o relacionei a Lost In Translation, mas acho que em Somewhere ela desmistifica ainda mais o glamour do cinema. O filme é mais cru, menos sentimental.

    Adoro a Ellen Fanning e nunca “gostei” da Dakota. A Ellen tem uma energia incrível em cena e rolou uma “química” ótima entre ela e o Stephen Dorff, (de fato “aquele ator que você sabe que conhece, mas não lembra muito bem o filme que ele fez e/ ou seu nome”. rsrs).

    E concordo com seu “viva” . Não sou contra nem a favor de 3D, até porque nunca me senti motivada a ver um filme em 3D. O problema está em se priorizar o formato ao conteúdo…

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